Existe amor em SP

O Anderson França descreveu SP de uma maneira que eu não conseguiria: a visão de um carioca explorando a selva de pedra. A leitura esquentou meu coração ao me fazer lembrar de como eu fui acolhido por essa cidade com fama de fria e cinzenta.

Quem fala que “não existe amor em SP”, não chegou lá como migrante.

Tenho poucas lembranças da primeira vez que fui a SP. Eu era um pirralho, devia ter 13 anos e fui com meu pai. Ficamos hospedado em um hotel na região da 25 de Março – a viagem foi para fazer compras pra loja da minha mãe. Ficamos 2 exaustivos dias, batendo perna e entrando em todas as lojas de armarinhos da região.

Duas coisas me chamaram a atenção na cidade. A primeira foi o hotel – o prédio mais antigo que eu já tinha entrado até aquele momento. Era um lugar que deve ter sido lindo quando novo, mas tinha aquela decadência da região. Pé direito altíssimo, um lobby que algum dia foi glamuroso e agora tudo era velho. O quarto tinha uma sacadinha tão curta que não dava para entrar, com o parapeito de ferro, todo decorado e cheirando a ferrugem. A fachada toda ornamentada e decorada, mas com aspecto de velho e mal preservado – como a maioria dos prédios da região.

A segunda coisa foi o grande camelódromo a céu aberto que era o viaduto da Santa Ifigênia, fiquei fascinado. Os CDs falsificados eram mais baratos e tinham opções que nem chegavam no camelô de Passo Fundo. Foi lá que comprei um Corel Drawn piratão para começar a trabalhar fazendo materiais gráficos – e provavelmente, alguns jogos piratas.

Anos depois voltei, turistão, pra conhecer a @biab. No fim da adolescência, a cidade era ainda mais incrível.

Tudo era novo, tudo gigante, tudo agitado. Tudo bem distante de realidade de Passo Fundo e seus 200 mil habitantes sempre preocupados sempre com status.

O que mais me chamou a atenção nestas visitas turísticas – e que continuou me surpreendendo nos primeiros meses que fui morar lá foi a quantidade de gente que eu via ao sair na rua.

Eu, bem “piá de interior”, ficava sobrecarregado com a quantidade de informação, rostos e pessoas que via diariamente. O que eu via de gente em uma estação de metrô era mais do que a quantidade de pessoas que eu via em Passo Fundo numa semana inteira.

Anos depois, numa visita do meu irmão, quando isso já passava batido pra mim, ele me falou como era difícil andar em SP, que tinha muita gente e tinha que estar sempre atendo e desviando de coisas, e consegui novamente olhar praquela cidade com o olhar admirado de “primeira vez”.

Foi em SP que começou minha vida adulta de verdade, longe de família e dos amigos de infância, com as contas pra pagar e ansioso pelo o salário.

E SP, cinza, da garoa, corrida, com cada formiguinha atribulada fazendo seu corre e deixando a esquerda livre para os ainda mais apressados, me acolheu.

Entre o olhar paulista e o almoço corrido pra bater ponto, fiz amigos. Os queridos amigos do meu primeiro emprego na cidade talvez nem façam ideia do quanto foram importantes por me fazer sentir bem naquela cidade gigantesca onde eu não conhecia quase ninguém.

Pessoal da FIRMA™, no mural do Pé Pra Fora até hoje

Quando decidi que SP seria minha nova moradia, a cidade também me deu outra família, que me acolheu até eu achar um lugar para morar.

SP também me deu outro sotaque. A mistura do interior do RS com o paulistano “MANO, tri massa!” – sotaque já contaminado pelos anos morando em Sorocaba. Quando mudei, eu odiava a gíria “mano”. Trabalhando com cariocas, quase me peguei falando “mermão” e abracei o mano. SP é mistura – e não to falando da carne ma marmita.

Em SP eu conheci gente de tudo quanto é lugar do Brasil – e de fora dele. Nunca me acostumei a estar andando na rua e ouvir alguém falando outro idioma, andando naturalmente pela cidade, já com o olhar paulistano.

SP foi quem me possibilitou participar de eventos e da comunidade de desenvolvimento “fisicamente” – antes só participava de fórum e em blogs.

E quanta coisa acontece em SP!

Logo que cheguei a empresa me deu a oportunidade de ir em um evento da W3C – a primeira turma do curso de HTML5. Lembro que estava completamente empolgado com aquilo ocorrendo na minha vida.

Também foi SP que me ensinou que eu não era tímido. Só descobri isso anos depois de morar lá, quando um amigo disse que eu não era tímido – eu sempre havia me considerado tímido. Mas, ouvindo aquilo, fiz uma retrospectiva e acho que SP mudou um pouco isso também.

SP me ensinou que quarta tem feijuca, que pastel e caldo de cana é café da manhã, que dá pra beber em padaria – perdão, em padoca. E um pingado e um pão na chapa é patrimônio cultural.

SP me mudou. Fiz uma pós graduação, passei por dois empregos e também abri duas empresas.

Ganhei um housemate, amigos, dinheiro e uma gastrite, porque o amor de SP não é mão única. SP ama, mas cobra.

Peixe no escritório

Peixes - Foto de 昶廷 林

– Puta merda, fizeram peixe na cozinha da firma hoje, agora fica esse cheiro no escritório todo.

– Mas tu trabalha em casa.

– É verdade.

– E foi tu que fez peixe.

– Ah é.

– E tu tá sozinho em casa.

– …

Não existe livre-arbítrio

As ideias deste artigo começaram a surgir depois de ler Homo Deus, do Yuval Noah Harari, e assistir Dark, da Netflix. Livro e série recomendadíssimas se o assunto te interessar. A verdade é que tudo começou mesmo nesta thread do Twitter e estou refletindo sobre isso desde então.

Com alguma frequência, aos domingos como pizza amanhecida no café da manhã. 

O cheiro de café passando se espalhando pela cozinha enquanto o queijo derrete e escorre pela lateral da fatia de pizza, estalando quando encosta na chapa aquecida sobre o fogão. Assim começou meu domingo. 

O melhor café da manhã posível

E como de costume, depois do café da manhã, minha intenção era assistir algum desenho, refletir porque insisto em alguns animes e sentar no escritório para jogar pela manhã toda — brigar por mais marketshare no lucrativo mercado que se tornou a colonização de marte, em Offworld Trading Company (tá na Steam).

Fecho a janela da cozinha para evitar o vento gelado — janela limpíssima, que limpei ontem cedo quando acordei, e ainda não sei bem por quê. Ingrata é a tarefa de limpar vidros, sempre aparece uma manchinha! Ao fazer isso, sinto o cheiro de gás e lembro que minha tentativa anterior de resolver o problema de vazamento não teve sucesso.

Arrasto o fogão para a frente, encho a esponja de detergente e penso: agora vai. Depois de uns vinte minutos de uma minuciosa vistoria com muita espuma de detergente, soltando e apertando as braçadeiras metálicas nas mangueiras de gás — por dentro e por fora da cozinha, aparentemente o problema estava sanado. Sem risco de explosões e sem cheiro de gás na cozinha posso voltar a dedicar minha manhã a arte de passar tempo e refletir sobre a vida – e ver animes para reclamar com propriedade do gênero.

Terminei de comer, liguei a TV e fui lavar a louça, como de costume. Percebi que o fogão estava sujo. O fogão de 4 bocas tem as duas traseiras sempre ocupadas por uma chapa de ferro, sempre pronta e aguardando um pão com manteiga pra ser dourado (ou minha pizza pra requentar).

As duas bocas da frente acumulavam pingos de óleo, sujeira e algum pó. Vinte minutos e isso seria resolvido com uma esponja, estimei inocentemente. Joguei um pouco de água quente e detergente pra soltar tudo, removi as grades das bocas frontais e comecei. 

Me considero uma pessoa prática e pouquíssimo adepta de limpezas profundas. Não me entenda mal, eu gosto de coisas limpinhas. Mantenho a louça lavada (e a pia brilhando, modéstia a parte), o banheiro limpo, o banho é diário. Eu não gosto é do conceito de “lavar a casa” exceto em casos extremos — tipo derrubar uma panela de óleo na cozinha. Eu vivo pelo conceito de manutenção preventiva: uma limpeza frequente e leve evita a necessidade de você se debruçar para esfregar o chão com escova, balde e sabão.

Mas isso não é válido para todo mundo. “O gserrano não liga pra sujeira” — foram estas palavras que a Bianca Brancaleone encontrou, de maneira quase educada, para falar pras visitas aqui em casa no último final de semana que ela me considera um porco.

Minha estimativa de vinte minutos para dar uma tapeada e deixar o fogão aceitável estava completamente errada – passei mais de hora limpando pois mudei a estratégia. Retirei a chapa e todas as grades das bocas, limpei detalhadamente as quatro bocas, limpei a frente do forno, os botões das bocas, a lateral do fogão que nem fica visível mas as vezes respinga alguma coisa. Lavei até a chapa – tirando todo o gostinho delicioso das comidas anteriormente preparadas – que erro. Limpei até aquela inútil tampa de vidro que até hoje não compreendo porque fogões tem. Ingrata é a tarefa de limpas vidros!

Ainda não compreendi o que me motivou ou porque eu, livremente, optei pela ingrata tarefa de fazer uma limpeza profunda quando uma limpeza rápida teria o mesmo efeito prático (e higiênico, acredite).

É com esta longa introdução que começo o assunto que realmente interessa: não existe livre-arbítrio.

Se existisse posso afirmar que eu não optaria por tarefas “sem sentido” como as que fiz nesta fatídica manhã de limpeza, ou ainda na semana anterior limpando os vidros das janelas. Como é que eu tomei estas decisões e por quais motivos?

Para discutir se existe ou não livre-arbítrio, temos que discutir duas questões: o que sou “eu” e o que é o livre-arbítrio.

O que sou eu?

Vamos começar pelo quem sou “eu” – o “idivíduo”.

A palavra vem do latim “individuus”, formada por in + dividuus – e significa indivísivel.

E este é o início do problema. Nosso cérebro tem 2 hemisférios que trabalham, normalmente, de forma coordenada para formar o “eu”. E o cérebro, até onde sabemos, é o que coordena nossas memórias, pensamentos, ideias e desejos.

Existem pesquisas do Roger Sperry sobre o “cérebro dividido”, que renderam a ele o nobel em medicina em 1981 que comprovam que o indivíduo na verdade é divisível – ao separar os hemisférios do cérebro (isso era um tramaneto para epilepsia, para evitar convulsões) o “indivíduo” poderia ter ações e vontades diferentes, dependendo de qual hemisfério está respondendo.

Em um destes estudos questionaram um adolescente sobre o que ele gostaria de fazer quando adulto e ele respondeu, verbalmente, que gostaria de ser desenhista. A fala e o raciocínio lógico são desempenhados em maior parte pelo hemisfério esquerdo do cérebro, que estava no comando nesta resposta.

Os pesquisadores queriam uma resposta do outro hemisfério cerebral, então espalharam letras na mesa e escreveram e um papel “o que você gostaria de fazer quando adulto?” e deixaram este papel visível apenas no campo visual esquerdo do jovem (que é controlado pelo hemisfério direito) – o hemisfério direito não tem controle vocal, então o adolescente não falou nada, mas usou a mão esquerda para “soletrar” com as letras da mesa e escrever “corrida de carros”.

Há outros relatos de experimentos com resultados impressionantes citados em Homo Deus – você pode pesquisar por “split brain experiment” que encontrará alguns interessantes.

Já temos o primeiro ponto esclarecido para continuar, com o que sabemos hoje podemos assumir que existem 2 “eus” atuando em conjunto e de forma coordenada para controlar nosso corpo, ideias e lembranças.

O que é o livre-arbítrio?

Para afirmar sua inexistência é necessário estabelecer também o que é o livre arbítrio.

Se eu for pelo dicionário, começando pelo significado de arbítrio

Resolução, determinação dependente apenas da vontade.

Poder, faculdade de decidir, de escolher, de determinar, dependente apenas da vontade; livre-arbítrio.

Dicio.com.br

E o dicionário Michaelis tem uma definição para livre-arbitrio:

Faculdade que o homem tem de escolher ou decidir conforme sua própria vontade, sem que haja condicionamento ou qualquer interferência nessa escolha;

Dicionário Michaelis

Podemos assumir que quando “eu” escolho, sem que haja condicionamento, estou realmente praticando o livr arbítrio. E entramos na complexa questão do que é ou não condicionamento.

Alguns anos atrás eu fiz um curso de “neuromarketing” (acho o termo buzzword, no fundo é “só” marketing) e vi várias pesquisas e estudos do quanto anúncios impactam nosso cérebro e induzem nossas compras.

Num dos estudos um grupo de pessoas eram impactadas por um anúncio antes de entrar numa loja, outro não. As impactadas compravam muito mais a marca anunciada do que o grupo não impactado – mas a maioria afirmava ter não estar sendo influenciada pela propaganda.

Existem outras pesquisas (também apresentadas no Homo Deus) de testes com ratos de laboratório que são controlados por controle remoto. O funcionamento deste “controle” é através de estímulos elétricos em partes específicas do cérebro – com isso os pesquisadores conseguiam induzir o rato a ir para a esquerda ou direita. O estímulo nada mais faz do que induzir uma súbita “vontade” do rato ir para a esquerda ou direita. Se separássemos os ratos em 2 grupos, A (recebendo estímulos cerebrais) e B (sem estímulos cerebrais) e 90% do grupo A escolhesse ir pra esquerda, provavelmente eles também diriam que foram para a esquerda porque queriam e que não foram influenciados a isso, tal qual nossos livres consumidores indo as compras.

Quantas propagandas você viu hoje? Quantos tweets com ideias de outros estão martelando em algum dos hemisférios desta tua cabecinha?

Eu realmente escolhi limpar as janelas (que, reforço, funcionam perfeitamente mesmo sujas e meu “eu” racional jamais optaria por uma limpeza dessas) e também o fogão ou foi o julgamento da minha parceira que causou liberação de determinados químicos pelo meu corpo, que acabou culminando em estímulos elétricos em alguma parte específica do meu cérebro fazendo com que numa bela manhã eu acordasse pensando “ta aí, vou fazer umas limpezas que vejo muito pouco sentido que sejam feitas!“?

E se eu realmente escolhi, qual eu tomou esta decisão? O “eu” do hemisfério esquerdo ou “eu” do hemisfério direito?

Tantas perguntas, tão pouco hemisfério cerebral pra responder.

E você? Realmente escolheu chegar até este blog e ler este artigo até aqui, ou uma série de fatores te condicionaram a isso?

E pensando agora em Dark, será que essa é a primeira vez que você tá lendo este texto?

CNH não é RG

Segunda cedo peguei a motoneta e rodei 900 e alguns kilometros pra ver meu amigo Mitrut lá em Cascavel.

Na terça segui pra Foz do Iguaçu e fui pro Paraguai olhar umas coisinhas. Tem várias coisinhas no Paraguai.

Na quarta resolvi que eu ia pra terrinha, lá no RS, pela Argentina que seria mais curto que fazer o percurso pelo Brasil e teria o bônus de passar por um país que não conheço.

Era quase meio dia quando fomos eu e minha motoneta rumo a Argentina. Sabia que teria que tirar a “carta verde”, um seguro obrigatório pra rodar nos países do Mercosul. Foram 80 reais, fiz logo antes da aduana brasileira. Oitenta pilhas mas tudo bem, conhecer a Argentina né, almoçar um churrasco e quem sabe até comprar uns vinhos. Paguei e segui viagem.

Cruzei a fronteira pela ponte, e me deparei com o maior engarrafamento logo depois. Uma imensidão de carros. Levou quase duas horas pra chegar perto da aduana Argentina.

A moto super-aqueceu pois deixei ela ligada e parada na fila – quando desliguei ela só sinalizava o super-aquecimento no painel e não ligava mais.

Fui empurrando ela na esperança de que até chegar minha vez ela resfriasse. Ela só voltou a marcar a temperatura no display quando chegou a 50 graus, e isso foi uns 10 minutos depois que desliguei.

Mas quem liga, vamos conhecer a Argentina né.

Chegou minha vez, depois de suar muito no sol com minhas armaduras de motoqueiro e empurrando a motoneta, lá estava eu falando Hola que tal com interrogação antes e depois da frase.

E vocês sabiam que CNH não é RG e sem RG ou passaporte não se entra na Argentina?

Voltei, empurrando a motoneta.

Vício

Na minha primeira vez eu pensei “ah, foi dessa vez, pra experimentar”. E agora, em retrospecto, percebo que estou “experimentando” faz anos.

A gente repete, vai fazendo, vai sendo, mas sempre acha que se quiser para.

O que começou num final de semana, alcoolizado em alguma balada esquisita, agora começa a afetar tua vida, teu trabalho, teus relacionamentos.

Quando tu se dá conta, já perdeu o controle. Antes tu era assim só no fim de semana. Agora é terça-feira? Bora, surgiu uma oportunidade. SEXTACHEIRA? É o dia, mete o loco.

Depois de um tempo tu nem percebe, mas já não tem mais controle — é involuntário. Algumas vezes nem percebe o que fez.

Estraga a reunião familiar, cria clima na festinha com os amigos — no início eles até achavam legais, vinha com umas piadinhas. Mas agora percebem que isso não tem graça e é um problema.

Os amigos mais próximos tentam te avisar — tu não dá ouvidos. Eles invejam essa energia, essa coragem, eles não sabem como é. Quando tu se dá conta, é tarde demais.

Finalmente tu se dá conta e admite: tu é mais um viciado em ser trouxa.

Diálogos do dia a dia

No caixa do mercado, o senhor aponta pro expositor de Ouro Branco e Sonho de Valsa:


– vou querer um bombom também
– branco ou preto?
– vermelho

50 coisas para boicotar além da exposição Queer Museu

Hoje finalmente vi as obras da Exposição “Queer Museu”, que causou tanta polêmica. E não é por menos, isto é uma verdadeira abominação a moral e os bons costumes.

Se tu também está chocado com aquela exposição imoral eu listei 50 coisas que devemos boicotar (o MBL que me ajude nesta) por desrespeitar o sagrado, a moral e os bons costumes ou por ser coisa gayzista. Para facilitar eu já coloquei ao lado de cada uma os motivos que devemos fazer o boicote.

Unidos vamos tornar o brasil mais cristão e limpo destas obscenidades!

1) Game of Thrones (incesto, paganismo, demônios, pedofilia)

2) A capa do Heavy Petting Zoo, CD de NOFX (pedofilia obscena)

3) 92% das músicas de NOFX (brinca com o sagrado, música ruim, tupatupa)

4) Os sites pornôs que tu acessa (incesto, violência contra mulher, desrespeito com o sagrado, atinge o matrimônio, “teens” é pedofilia escrachada)

5) IT (tem uma orgia infantil)

6) Todos os livros do Stephen King — e séries / filmes (o cara era doidão vendeu a alma pro diabo com certeza, altos demônios)

7) Harry Potter (bruxaria)

8) Moonlight (filme gayzista)

9) GTA (violência, prostituição)

10) Duke Nukem (não queremos que os jovens voltem a atirar nos cinemas)

11) Sertanejo (ofende o sagrado matrimônio e é ruim pra caralho)

12) Funk (ficam balançando as bunda tudo e rebolando, cheio de criança viada fazendo passinho)

13) Todas as obras do Leonardo da Vinci (mexia com mortos, pinta gente pelada. Herege, ele era chegado em pirotecnicas e outras coisas de bruxos)

14) La la land (musical é coisa de gay, as crianças vão achar normal isso)

15) Programas do Silvio Santos (pedofilia: fica bancando o cafetão de criança nos programa dele)

16) Jesus Negão (um clássico da internet, esrespeitoso com o sagrado)

17) Aqueles programas de TV que as mãe maquiam as filhas de 5 anos igual umas prostituta anã e mandam elas desfilar (pedofilia, bizarrice e extremo mal gosto)

18) Igreja Católica (há séculos acoberta casos de padres que estupram e abusam de coroinhas )

19) Igreja Evangélica (desrespeito com o sagrado)

20) Paixão de Cristo (desrespeito com o sagrado, mostra só o jesus apanhando, sensacionalista)

21) As vantagens de ser invisível (filme gayzista)

22) O segredo de Brokebak mountain (filme gayzista)

23) The Mist (série gayzista, demoníaca e desrespeitosa com o sagrado — até fogo na igreja e padre morrendo tem, um horror!)

24) Shrek (zoofilia, inter-racial)

25) Obras de Michelangelo (só fazia escultura denudez e com uns pintinho pequeno ainda)

26) O Jardim das Delícias Terrenas (todas as profanações do sagrado numa só pintura)

27) Todo o restante das obras de Bosch (o cara era um maluco doente, fere a moral e bons costumes, ridiculariza o sagrado)

28) Dexter (assasinatos, desrespeito ao matrimônio, ateísta)

29) Death Note (ofensivo contra o sagrado, doentio, o cara se acha deus, tem um demônio, apesar de pregar que bandido bom é bantido morto temos que censurar)

30) Pantera (fala de uns demônio, brinca com o sagrado, tem uns cowboy do inferno)

31) Iron Maiden (fala do demônio, ofensivo contra o sagrado)

32) Ozzy Osbourne (ofensivo contra o sagrado, satanista, come morcego, se droga, é velho e ainda fica fazendo show e pulando)

33) Black Sabbath (satanistas, ofensivo contra o sagrado)

34) Krisiun (não consigo nem entender mas aposto que é clamando os demônios, ofensivo e contra o sagrado)

35) Napalm Death (não consigo nem entender mas aposto que é clamando os demônios, ofensivo e contra o sagrado)

36) Xuxa (rainha dos baixinhos, pedofilia, sensualização de paquita menor de idade, CD ao contrário invoca o demônio na casa)

37) Tenacious D (ofensivo contra o sagrado, canta pro demônio, tem o Jack Black — sobrenome de escuridão, deve ser satanista)

38) Livros de Biologia antes da faculdades (mostram pênis e vagina pras crianças)

39)Barbeiros (contra a igreja, homem não deve se barbear diz na bíblia, eles pintam a cara dos clientes com tintas horríveis sem perguntar se o cara quer ou não)

40) The Mask we live in (fala que o homem de verdade não tem que ser o homem de verdade, tem tendência gayzista)

41) Bob Esponja (hipnotiza as criança, fala de drogas subliminarmente)

42) 50 tons de cinza (altas putaria e depravação, fere os bons costumes)

43) Playboy (mas essa a internet já deu um jeito de acabar, é só um boicote-homenagem)

50) Esta lista (pois ela foi escrita por um ateu satanista lgbt)

Força islão-cristão, juntos podemos tudo, inclusive voltar a 1250!

Transação não autorizada

A vida de pesquisador de campo não é nada mole.

Em uma pesquisa fui realizar uma compra em uma dessas lojas chiquérrimas do Itaim, bairo (es)nobre de São Paulo. Bairro de SUV e de gente que tem motorista e segurança sempre por perto, sabe como é?

Meu objetivo neste cenário curioso era relativamente fácil: em um ambiente real de classe média alta, fazer uma compra e ter o pagamento não autorizado.

Garanti que o valor dos produtos fossem umas cinco vezes superior ao pouco saldo disponível na minha conta. Limite eu não tenho nenhum pois proibi o banco de liberar cheque especial. Este não era o primeiro teste e por isso eu estava bem confortável com a situação.

O “setup” da pesquisa estava feito e o ambiente pronto: selecionei os produtos (com preços extravagantes) e falei pro vendedor que iria levar. Ele ficou feliz pela comissão, todo mundo estava alegre, agora era só eu pagar. No caixa saquei o cartão de débito (isso aí, nada de crédito), digitei a senha e…

TRANSAÇÃO APROVADA.

Até aquele momento esta mensagem sempre foi motivo de felicidade, motivo daquele alívio contido.

Não hoje, não desta vez. Um cliente havia transferido dinheiro para minha conta três minutos antes de eu realizar este último teste.

Mas o mais importante: o que vou fazer com esta caralha deste lustre?

53 reais

Aquele role maroto perto da rodoviária de BH, pq se tu quer conhecer de verdade uma cidade tem que ter um role rodoviária.

Eu e a Bia caminhando de mãos dadas numa rua super movimentada, 9 da manhã, tudo tranquilo.

Numa sinaleira, cheia de pedestres, um rapaz nos aborda depois de ser ignorado por dois transeuntes:

– bom dia, eu sou engraxate, to morando na rua, umas moedas pra ajudar…
– não tenho nada não
– vocês são brasileiros?
– sim
Respondemos juntos e quase rindo.
– sério???
– Hahaha, sim
– de onde?
– são Paulo
– já andei por lá, mas não conheço muito não
– sua esposa é linda
– …
– vocês não parecem brasileiros não
– Hahaha
Se virou pra bia e continuou:
– você tem cara de gringa, sério mesmo. eu não achei que você era brasileira…. Se eu ganhasse cinqüenta e três reais na mega senna e pudesse escolher ficar com ela, ihhh, pode levar o dinheiro todo, quero é ser feliz